quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Eu nada

Eu não peso nada
Mal sei se estou aqui
Observando uma tela branca
E um chiar de conversa

Eu não ocupo espaço
Mantenho-me no mesmo lugar
A cada passo que não dou
E a cada palavra que desfaço

Eu não ouço nada
Que o vento não tenha dito
Antes de alguém mentir pra mim
Sobre como mentir bem

Eu não digo nada
Que alguém não tenha dito antes
Pensado como dantes
Inventado por gigantes

Eu não vejo nada
Que não esteja na televisão
A chegada do sétimo bilhão
Outro acidente de estrada

Eu não sinto nada
Que venha de fora
Que venha da rua
Da luz da Lua

Confesso
As vezes acho que não estou
As vezes sei que não quero
Saber mais nada





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